Liturgia

     Segundo a doutrina da Igreja Católica, a liturgia é a celebração do "Mistério de Cristo e em particular do seu Mistério Pascal", sendo por isso "o cume para onde tendem todas as acções da Igreja e, simultaneamente, a fonte donde provém toda a sua força vital". Através deste serviço de culto cristão, "Cristo continua na sua Igreja, com ela e por meio dela, a obra da nossa redenção". Mais concretamente, na liturgia, mediante "o exercício do sacerdócio de Cristo", "o culto público devido a Deus" é exercido pela Igreja, o Corpo místico de Cristo; e "a santificação dos homens é significada e realizada mediante" os sete sacramentos.

O que é Ano Litúrgico

OBJETIVO:  Mostrar que a celebração do Mistério de Cristo é feita ao longo de todo o ano.

A Igreja celebra com sagrada memória em dias determinados no decorrer do ano todo o mistério de Cristo, desde a Encarnação e do Nascimento até a Ascensão, ao dia de Pentecostes e a expectativa da bem-aventurada esperança e da volta do Senhor.

Recordando desse modo os mistérios da Redenção, abre ela as riquezas das ações salvíficas e dos méritos de seu Senhor, de modo a torná-las presentes em todos os tempos, para que os fiéis possam tomar contato com elas e ser repletos da graça da salvação (SC 102).

A principal memória da obra da salvação realizada por Cristo é a celebração semanal e anual do Mistério pascal. Semanalmente, no dia a que deu nome de domingo, a Igreja faz a memória da Ressurreição do Senhor. Anualmente, une-a à sua bem-aventurada Paixão, celebrando a Páscoa, a maior das solenidades (SC 102). Essa dúplice celebração semanal e anual, da Páscoa constitui o ápice do desenrolar do mistério de Cristo no decorrer do ano e também a fonte de que promana a graça da salvação.

 

 A celebração do Mistério pascal

O Tríduo da Paixão e Ressurreição do Senhor é o ápice (ponto mais alto) do ano litúrgico, uma vez que a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus foi realizada por Cristo especialmente por meio do Mistério Pascal, com o qual, morrendo, destruiu a nossa morte e, ressuscitando, nos restituiu a vida (NGC 18). Os cinqüenta dias que se sucedem do domingo da Ressurreição ao domingo de Pentecostes se celebram no júbilo e na alegria como um só dia de festa: constituem o Tempo Pascal (NGC 22). Os primeiros oito dias desse tempo constituem a oitava de Páscoa; no quadragésimo dia depois da Páscoa se celebra a Ascensão.

O Tempo da Quaresma prepara para a Páscoa; a liturgia deste tempo conduz a celebração do mistério pascal tanto os catecúmenos, através dos diversos graus da iniciação, como os fiéis, por meio da lembrança do batismo e da penitência. (NGC 27).

A Quaresma decorre desde a quarta-feira de cinzas até a missa vespertina da quinta-feira santa exclusive; a semana que precede a Páscoa é chamada pela tradição de semana santa. Tem ela por objetivo a veneração da Paixão do Senhor.

 

 A celebração da manifestação do Senhor

Depois da evocação anual do Mistério pascal, o que a Igreja tem de mais sagrado é a celebração do Natal do Senhor e de suas primeiras manifestações: é o que se realiza com o Tempo do Natal (NGC 3a). A celebração do Natal se prolonga por oito dias (oitava): no oitavo dia se celebra a solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria.

O Tempo do Advento prepara para a solenidade do Natal e tem uma dúplice característica: lembra a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens e mulheres, e simultaneamente é o tempo em que, através da lembrança de sua vinda e do Natal, o Espírito é levado à expectativa da segunda vinda do Cristo no final dos tempos (NGC 39).

O Advento começa com as primeiras Vésperas do 4o. domingo antes do Natal e termina antes das primeiras vésperas do Natal.

  

A celebração global do Mistério de Cristo

Além dos tempos que têm características próprias, há 33 ou 34 semanas durante o ano, que se destinam não a celebrar um aspecto particular do Mistério de Cristo, mas nos quais esse mistério é, antes, venerado em sua globalidade, especialmente nos domingos. Esse período chama-se Tempo Comum (NGC 43). Na celebração desse ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor Maria Santíssima, Mãe de Deus, indissoluvelmente unida à obra de Salvação de seu Filho. Celebra também a memória dos mártires e dos santos que, tendo atingido a perfeição com o auxílio da multiforme graça de Deus, e já na posse da salvação eterna, cantam no céu a Deus o louvor perfeito e intercedem por nós.

 

Ano civil e ano litúrgico

Assim como no ano civil comemoram-se datas importantes para um povo, região ou país, a Igreja   celebra durante o ano, todo o Mistério (revelação) de Cristo na História da Salvação. Por exemplo: o Brasil comemora o dia 22 de abril, o seu descobrimento (nascimento do país) e o dia 7 de setembro, a sua Independência (passagem de povo subordinado para povo livre). Assim, também, no Natal celebra-se o nascimento de Cristo e na Páscoa, a sua Ressurreição (passagem da morte para a vida).

O ano civil inicia-se no dia 1o. de janeiro. Já o Ano Litúrgico inicia-se nas vésperas do 4o. domingo antes do Natal (início do Tempo do Advento. O ano civil é dividido em estações: Primavera, Verão, Outono e Inverno; e também é dividido em meses: Janeiro a Dezembro. O Ano Litúrgico é dividido em Ciclos: Ciclo do Natal e Ciclo da Páscoa; e também é dividido em tempos: Tempo do Advento, do Natal, da Quaresma, da Páscoa e Comum. No ano civil, durante as estações (e dos meses), comemoram-se aniversários de nascimento ou morte de pessoas famosas. No Ano Litúrgico, durante os ciclos e tempos litúrgicos, celebram-se também as festas e memórias dos santos que marcaram a vida da Igreja. A Constituição e as Leis federais, estaduais e municipais regulamentam a comemoração das datas do ano civil. Já o Ano Litúrgico é regido pelas "Normas Gerais para o ordenamento do ano litúrgico e do calendário".

 

Determinação das datas litúrgicas

Nem sempre é possível determinar o dia exato em que ocorreu uma data histórica. Assim, também, com as datas cristãs, acontece o mesmo. Para a determinação do dia a ser celebrado o Natal, por exemplo, foi escolhido o dia em que se celebrava a festa pagã "O SOL INVICTO" (solstício de inverno no Hemisfério Norte). Cristo é o verdadeiro Sol e a verdadeira luz para a humanidade, por isso essa data foi escolhida para celebrar o seu Nascimento.

A Páscoa segue a tradição judaica (Ex. 12,1-6) sendo celebrada até hoje pelos judeus na primeira lua cheia da Primavera no Hemisfério Norte (outono no Hemisfério Sul). A Igreja aguarda o domingo seguinte para essa celebração conforme a tradição cristã.  Algumas datas são marcadas em função do Dia da Páscoa: Semana Santa, Quarta-feira de Cinzas, Ascensão, Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpo e Sangue de Cristo, Coração de Jesus, etc. Ao contrário do que muitos pensam, não é o Carnaval que determina o dia da Páscoa.

 

Anos A / B / C  e  Par / Ímpar

Para melhor conhecimento da Palavra de Deus, a Igreja distribui as Escrituras Sagradas de modo que sejam utilizadas na Liturgia, segundo certa ordem. Por isso, principalmente no Tempo Comum, as leituras são divididas de acordo com o ano em que se está celebrando. Nos domingos, as leituras repetem-se a cada 3 anos sendo que temos os anos A, B e C, nos quais ouve-se principalmente os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, respectivamente. O Evangelho de João é proclamado, especialmente, nos dias festivos. Para se determinar o Ano Litúrgico, divide-se o número do ano por 3. Se o resto da operação de divisão for "1" é Ano A; se for "2" é Ano B; se for "0" é Ano C. Ex.: 1999 dividido por 3 = 666 e o resto é 1. Portanto é ano A = Leituras do Evangelho de Mateus.

Durante os dias de semana a divisão é feita entre ano Par e ano Ímpar.

Não esquecer, porém, que o ano inicia-se antes do ano civil, ou seja, 4 domingos antes do Natal do ano anterior. Ex:. Ano Litúrgico de 1999 inicia-se em 29/11/98.

 

ABREVIATURAS:

SC = Sacrosanctum Concilium (Constituição sobre a Sagrada Liturgia - Concílio Vaticano II)

NGC = Normas gerais para o ordenamento do ano litúrgico e do calendário)

 

Para melhor conhecimento:

MISSAL ROMANO. Introduções e comentários.

CNBB. "Animação da Vida Litúrgica no Brasil".  Ed. Paulinas

HORTAL, Jesus. "Os Sacramentos da Igreja na sua dimensão canônico-pastoral". Ed. Loyola

CECHINATO, Luiz, Pe. "A Missa Parte por Parte". Ed. Vozes

Reunidos em Nome de Cristo - Instrução Geral sobre o Missal Romano - Ed. Paulinas

PAULO VI, Papa. Por Cristo, com Cristo, em Cristo. Ed. Vozes

Compêndio Vaticano II - "Sacrosactum Concilium" - Ed. Vozes

 

O que é Liturgia?

“A liturgia é a fonte primária do verdadeiro cristão.” (Paulo VI)

I – UM POUCO DE HISTÓRIA

Já no começo do cristianismo, a liturgia era celebrada como um momento forte de comunhão e participação. Os cristãos sabiam muito bem que eram membros do Corpo de Cristo, e por isso, “um só coração e uma só alma” (At 4,32). A Missa, por exemplo, era uma refeição muito simples e familiar, para a qual cada um deveria contribuir com sua parte. Nasceu como celebração da Partilha. Por isso, era conhecida pelo nome de Fração do Pão (Cf. At 2,42). Nela os primeiros cristãos recordavam a última ceia, quando Jesus partilhou o pão e o vinho com seus discípulos e disse: Fazei isto em memória de mim-.. (Cf. Mt 26,26-28); Mc 14,22-25; Lc 22,19-30; 1Cor 11, 23-25). Estava nascendo a liturgia eucarística... Nesta mesma refeição, os cristãos costumavam ouvir a pregação dos apóstolos que relembravam a vida e os ensinamentos de Cristo. Aos poucos estas pregações foram sendo escritas, e hoje fazem parte da Bíblia. Estava nascendo à liturgia da Palavra... Em tudo isso havia uma grande certeza: Jesus está no meio de nós!

Ate o século 4° não existiam formas fixas. Cada comunidade elaborava seus ritos de acordo com sua realidade e sua cultura. A Ceia do Senhor acontecia no domingo, o dia da Ressurreição de Cristo; tudo era muito simples e espontâneo; não existiam templos; escolhia-se a casa de alguma família cristã. Aos poucos os cristãos começaram a ter sua liturgia própria, separada daquela que acontecia no templo e nas sinagogas dos judeus.

Entre os séculos 4° e 7°, muitos começaram a escrever fórmulas para dar uma certa unidade à liturgia cristã. Aconteceram inúmeras reuniões para definir estas fórmulas. Em meados do século 12 já estavam definidos os principais “formulários”. No século 14, a liturgia cristã já estava bastante estruturada: existiam o ano litúrgico, o canto oficial (gregoriano), o ritual de diversos sacramentos, os lecionários (ciclo e leituras que deveriam ser lidas nas celebrações).

Com o passar dos anos, as coisas foram mudando. Cada vez havia mais pessoas nas celebrações. A Missa já não podia ser celebrada nas casas, com a simplicidade de uma refeição entre irmãos. Foi transferida para ambientes maiores. Surgiram as grandes basílicas. O povo participava cada vez menos. As celebrações foram sendo transformadas em cerimônias.

Assim, nos séculos 15 e 16, o povo deixou de dar importância à liturgia oficial da Igreja. A missa era distante e fria. Diante disso, o povo criou a sua própria devoção. A maioria não entendia o significado das celebrações. Algumas coisas importantes eram desprezadas, e outras, de menor importância, eram supervalorizadas.

Então aconteceu uma reunião de todos os bispos do mundo: Q Concílio de Trento (1546 e 1563). Este grande acontecimento marcou o início de profundas mudanças na Igreja. Foi feita uma revisão completa dos ritos e dos formulários. Infelizmente, muitos se apegaram exageradamente as fórmulas. E isso durou até o século 20.

Em 1903, o Papa Pio X começou a repetir com freqüência algo que no século anterior já era preocupante em muitos lugares do mundo: “é muito importante o povo participar da liturgia de maneira ativa e consciente”. Além disso, no início do século 20, muitas outras pessoas começaram a se preocupar com a questão da participação de todos na liturgia. Foi o início do movimento Litúrgico no ano de1909. Esse movimento iria promover mudanças radicais na liturgia. Ele iria, desembocar, no ano de 1962, em outro grande na vida da Igreja: o Concílio Vaticano ll. 

Em 1963, bispos do mundo inteiro se reuniram em Roma para conversar sobre a vida da igreja. Este encontro foi chamado de Concílio Vaticano ll. A liturgia foi um dos assuntos mais importantes. Os debates e reflexões apontavam para a necessidade de uma maior participação de todo o Povo de Deus na liturgia. Esta participação deveria ser “pIena, consciente e ativa”. Naquele tempo, a missa ainda era em latim e a maioria não compreendia o seu significado. Alguma coisa precisava mudar.

As conclusões dos bispos foram escritas em um documento chamado SACROSSANCTUM CONCILIUM.

Este documento é tão importante para a liturgia quanto a Constituição Federal para o Brasil. Os sacramentos, as equipes de liturgia, a música, os símbolos, a formação Iitúrgica, o uso da língua nacional, o ano litúrgico, a participação do povo na liturgia são alguns dos temas focalizados pelo Sacrossanctum Concilium.

Depois disso, muita coisa mudou: o povo começou a participar mais. A liturgia voltou a ser um encontro da comunidade. Renasceram os ministérios e serviços. A missa ficou mais compreensível. Surgiram músicas belíssimas para a liturgia. Todo o povo começou a cantar. Multiplicaram-se os cursos de liturgia.

 

II - 0 QUE É LITURGIA?

 

1 - LiTURGiA NAO É...

Liturgia não é teatro. Não é encenação da vida, paixão, morte e ressurreição de um tal Jesus de Nazaré. Liturgia não é uma série de cantos separados por algumas orações.

Liturgia não é show. O altar não é um palco. O padre não é o artista, nem o povo uma platéia.

Liturgia não se resume em canções.

Liturgia não é um culto a mais na sociedade, como tantos outros que pedem vestes especiais e hora marcada. Não é formatura, coquetel ou tribunal.

Liturgia não é apenas uma cerimônia. Liturgia não é folclore. Não é mero patrimônio cultural da sociedade.

Liturgia não é só palavra, gesto ou canção. E mais que a simples leitura de um folheto pré-elaborado num lugar distante.

Liturgia não é ensaio de canto.

Liturgia não é catequese. Não é discurso ideológico. Não é aula sobre Deus.

Não é um sermão separado por algumas orações iniciais e finais.

Não é falar determinadas orações de cor.

Não é a recitação de fórmulas mágicas.

Não é   somente louvar, nem se resume em pedir.

Liturgia não é apenas momento de tomar consciência da realidade... Mas também não é um cantinho silencioso onde ninguém me incomoda.

Não é apenas lembrar fatos do passado...

Ou simplesmente sonhar com um futuro feliz, mais justo e melhor.

Liturgia não é um “santo remédio”. Não e só conversar com Deus, nem apenas ouvi-lo falar.

Liturgia não é uma dessas reuniões de amigos, para festejar “qualquer coisa”.

E mais do que unir as mãos para ajudar o irmão.

 

2. O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS?

2.1 - SACROSSANCTUM CONCILIUM

O Concilio Vaticano ll definiu também a liturgia.

A luz da Constituição Litúrgica “Sacrossanotum Concilium” — que foi o primeiro documento conciliar, publicado em Roma no dia 4 de dezembro de 1963 -, podemos dizer que a liturgia é: “uma ação sagrada pela qual através de ritos sensíveis se exerce no Espírito Sato, o múnus sacerdotal de Cristo, na igreja e pela Igreja, para a santificação do homem e a glorificação de Deus” (cf. SC, 7).

Pode – se detalhar mais cada expressão deste conceito?

Sim. Quando a “Sacrossanctum Concilium” diz que a liturgia é:

·         Ação Sagrada - Quer dizer: ação de uma comunidade — Igreja onde Cristo age. É sagrada, pois comunica Deus e por ela nos comunicamos com Ele. E ai entra a fé e o amor.

·          Ritos Sensíveis - Esta comunicação com Deus, por Cristo e em Cristo se faz através de sinais e símbolos, isto é, de forma sacramental.

·          O múnus sacerdotal de Cristo - E ele (Cristo) quem age e continua a realizar a obra da salvação de modo que todos possam realizar a sua vocação sacerdotal recebida no Batismo. A ação sagrada e de Cristo. É ele o sacerdote principal - o oferente e a oferta.

·          Na Igreja e pela igreja - Cristo não age sozinho, mas se faz presente na e pela ação da Igreja toda.

·         Para a santificação do homem e a glorificação de Deus - Estes são os dois movimentos de cada ação litúrgica: o movimento de Deus para o homem — a santificação. E o movimento do homem para Deus — a glorificação.

2.2 - O QUE É LITURGIA SEGUNDO O DOCUMENTO DE MEDELLIN?

"A Liturgia e a ação de Cristo Cabeça e de seu Corpo que é a Igreja. Contém, portanto, a iniciativa salvadora que vem do Pai pelo Verbo e no Espírito Santo, e a resposta da humanidade naqueles que se enxertam, pela fé e pela caridade, no Cristo, recapitulador de todas as coisas. A Liturgia, momento em que a Igreja é mais perfeitamente ela mesma, realiza, indissoluvelmente unidas, a comunhão com Deus e entre os homens de tal maneira que a primeira é a razão da segunda. Se antes de tudo procura o louvor da gloria e das graças, também esta consciente de que todos os homens precisam da Gloria de Deus para serem verdadeiramente homens” (Medellin -— Lit. 9,2);

 

2.3 - O QUE PUEBLA DlZ QUE É LlTURGlA?

O Documento de Puebla - fruto da lll Conferência Geral do Episcopado Latino – Americano– define a Liturgia como sendo: “A Ação de Cristo e da Igreja, é o exercício do sacerdócio de Jesus Cristo; é o ápice e a fonte da vida eclesial. É um encontro de Deus com os irmãos: banquete e sacrifício  realizado na Eucaristia;.festa de, comunhão eclesial, na qual o Senhor Jesus, por seu mistério Pascal, assume e liberta o povo de Deus e, por ele, a toda humanidade, cuja historia salvífica, para reconciliar os homens entre si e com Deus. A liturgia é também força em nosso peregrinar, para que se leve a bom termo, mediante o compromisso trans formador da vida, a realização plena do Reino segundo o plano de"Deus” (Puebla n° 918).

 

III – PARA COMPREENDER MELHOR

1 - “CELEBRAR A LlTURGlA É FAZER MEMÓRIA DO MISTÉRIO PASCAL”

Assim, entendemos que liturgia é celebração, isto é, ação ritual em clima festivo, feita com palavras e sinais sensíveis. É realizada por uma comunidade de pessoas reunidas pela fé em Jesus Cristo no Espírito Santo, enquanto povo sacerdotal, chamado a colaborar com Deus na salvação da humanidade. É entendida como sendo um “mistério”, pois nela e por ela participamos da vida de Cristo. Esta é semente de transformação libertadora em vista do Reino, implantada no chão de nossa história. Celebrar a liturgia é fazer memória do mistério pascal da paixão, morte, ressurreição e gloriosa ascensão de Jesus Cristo, lendo ao mesmo tempo o livro da Bíblia e o livro da vida, anunciando a morte e proclamando a ressurreição de Cristo e do povo unido a ele.

O momento celebrativo é ponto alto e fonte (SC 10) da vivência diária de cada cristão, individualmente, e da Igreja como um todo, da vida vivida como culto espiritual em Cristo, no Espírito Santo. Explicitemos alguns aspectos dessa definição:

Memorial

A celebração litúrgica é “memorial” ou “anamnese”, isto é, a recordação de um fato acontecido no passado, no qual se experimentou e reconheceu a ação salvífica de Deus por causa da aliança que realizou com seu povo; fazendo memória, temos “a certeza de estarmos hoje participando deste acontecimento e deu seus efeitos salvíficos. E, por isso, bendizemos a Deus e imploramos que assegure a salvação também no futuro, para que toda a história de seu povo seja convertida em historia de salvação. E prometemos assumir a nossa parte nos compromissos da Aliança.

Mistério Pascal

O fato central da historia da salvação, do qual fazemos memória na liturgia, é o mistério pascal de Jesus Cristo, ou seja, a sua paixão, morte, ressurreição e ascensão gloriosa, enquanto revelação do “mysterion”, o desígnio amoroso e salvífico do Pai para com a humanidade. Este mistério ficou escondido durante séculos, mas nos foi manifestado (Ef 3,8-13; Cl 1,26). Na cruz de Cristo, que foi aparente derrota, fracasso humanamente falando, Deus mostrou a sua força e sabedoria e nos libertou das forças da morte (1Cor 1 e 2).

No amor de Cristo, na sua entrega total ao Pai em favor de seus irmãos, a morte foi vencida pela vida. A morte de Jesus, o justo, venceu a injustiça e suas desastrosas conseqüências: o Pai respondeu exaltando e glorificando seu Filho, fazendo-o ressurgir e sentar-se a sua direita como Juiz da Historia. Por isso, no coração da liturgia soa o grito triunfante: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!” Assim, em cada época e em cada lugar em que se faz o memorial deste mistério pascal, desta passagem da morte para a vida pela qual foi realizada a salvação, a morte vai sendo derrotada, ate que nada mais ameace ou diminua a vida em plenitude.

 

Mistério da Liturgia

A liturgia não é apenas anúncio, mas também realização da salvação para a gloria de Deus. Pelo memorial, Cristo torna-se presente na assembléia de seu povo. Ele nos reúne, ora e salmodia conosco, fala-nos quando lemos as Escrituras, associa-nos a si pelas ações sacramentais. Pelo memorial participamos do mistério pascal de Jesus Cristo. O gesto de entrega de Jesus ao Pai torna-se presente entre nós pelos sinais litúrgicos. Também a força libertadora, que o Pai demonstrou ressuscitando seu Filho, passa para a ação celebrativa, Na e pela Liturgia, o Pai nos faz ressuscitar hoje com seu Filho. Associa-nos ao Cristo vivo, ressuscitado, sentado à direita dele, carregando as chagas, sinal de seu sacrifício. O Espírito do Cristo é derramado sobre nós e participamos da “‘koinonia” trinitária da comunhão que liga ao Pai, o Filho e o Espírito Santo, antecipando, assim a comunhão plena de todos em Deus.

 

Liturgia da Vida

Assim, a celebração litúrgica torna-se “cume e fonte” (SC 10) da vida do povo sacerdotal. Ha um antes e um depois: ha um povo agrupado em comunidades que prolonga hoje a missão libertadora de Jesus Cristo no aqui e agora da história e que celebra a liturgia como ponto alto e como novo ponto de partida de sua caminhada.

Não ha liturgia sem comunidade que a realize, mas não há também comunidade cristã sem a liturgia na qual é gerada e alimentada continuamente.

Não há liturgia cristã sem engajamento e compromisso com a continuação da missão libertadora de Cristo, com a realização do Reino no aqui e agora da história. E não há engajamento cristão a não ser aquele que brota da participação no mistério pascal de Jesus Cristo na liturgia.

É preciso prolongarmos e concretizarmos na realidade de nossa vida pessoal, comunitária e social a comunhão e a transformação pascal vivida e antecipada na celebração litúrgica. Vale dizer, é preciso fazer de nossa vida uma liturgia, um culto a Deus que seja ao mesmo tempo santificação da humanidade. Só assim teremos direito de celebrar o memorial da morte-ressurreição de Jesus Cristo.

 

 

 

NOSSA SENHORA DE LOURDES - PROTETORA DOS ENFERMOS


 

Paróquia Nossa Senhora de Lourdes de Curitiba - Praça Itália 183 - Jardim Botânico 80.210-180 - Curitiba - PR - Fone: 41 3262-2774